quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Facetas

Estava a fazer o zapping típico de quem não tem vontade de estudar (quem sabe se esta súbita vontade de escrever não é também vontade de não estudar) quando paro na tantas vezes esquecida RTP N, surpreendida por umas palavras sérias. Que não pensem que eu só vejo comédias na televisão mas fiquei estupefacta com palavras sérias saídas da boca de quem não as imaginava - Ricardo Araújo Pereira a apresentar um livro de António Lobo Antunes. Não sou fã do Gato Fedorento mas gosto. Não sou assídua leitora da coluna dele na Visão mas gosto. Posso até nem achar piada a algumas das suas graçolas mas reconheço-lhe o mérito. Mas vê-lo ali, sentado, vestido de preto, sem as suas caretas características, falando de Freud, do estatuto do narrador, das vozes que falam no livro, das pessoas que compõem o livro e às quais ele se recusa chamar personagens.....fiquei vidrada! Nunca sequer me deixei pensar que fora da personagem "Ricardo Araújo Pereira dos Gato Fedorento" houvesse um Ricardo Araújo Pereira homem culto com interesses e boa cabeça. Os meus parabéns pela boa surpresa que me causou!
Ah! E obrigada por me ter despertado o interesse para o livro!

Falta

Sinto falta do aconchego, de um xaile por cima dos ombros, de um abraço que consuma...Sinto falta do quentinho. Daquele quentinho em que se sabe que o frio está lá fora para além da capa que nos protege mas que chega ao coração. Tenho saudades daquela sensação do "tão bem que se está", mesmo quando lá fora a chuva vem com a força do vento quase a partir a janela. Sinto falta do calor do lume, da lareira, de encostar os pés e chegar as mãos para aquecer as extremidades frias....Sinto falta da segurança e do bem-estar que o quentinho me transmite. Sinto vontade de me meter na cama carregada de cobertores, de sentir o peso dos cobertores que me aquecem e me protegem...sinto falta do colo, do mimo e do carinho. Sinto falta de ser criança...de caber no colo da minha mãe....do embalo e da história para dormir...
Tenho tendência para sentir falta do que não tenho e do que não posso ter.

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Jejum

Para quem interesse já estou sem comer há 3 horas e já começo a sentir falta do jantar....e logo eu que achava que o jantar era completamente dispensável e que bastava uma sopita! Ai esta jejum! Porque é que o médico tinha que mandar fazer umas análises tão esquisitas?

domingo, 8 de outubro de 2006

Caso prático

Há muitos meses atrás o Sr. H aderiu a um tarifário promocional da TMN através de automato, situação essa em que lhe foram explicadas as condições do contrato a celebrar. Passados alguns meses, a TMN decide prorrogar o prazo de validade desse tarifário informando os clientes, via sms, apenas da alteração da validade. No mês presente a referida empresa promove uma campanha em que devolve o dinheiro gasto em chamadas para TMN's durante um mês. Tentando fazer render o dinheiro, o Sr. H liga para a TMN e pede para mudar para um outro tarifário promocional em que as chamadas são mais baratas para a própria rede, sendo-lhe dito pelo autómato que a operação será realizada. Não recebendo a confirmação da alteração, o Sr. H liga para o serviço de apoio a clientes da referida operadora sendo-lhe dito que necessita de um saldo igual ou superior a 25€ para efectuar a alteração. O Sr. H, como está realmente interessado, faz o referido carregamento e, ao tentar mudar novamente de tarifário, dizem-lhe que não é possível mudar para outro tarifário promocional, como resulta de uma das cláusulas estipuladas aquando da prorrogação da validade da promoção.
Quid juris?
P.S. - gostaria de ouvir opiniões antes de dar a solução do caso!

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

O custo da cultura

Se já falei no custo da leitura, porque não falar no custo da cultura? Com uma visita recente a um museu e uma ida ontem ao CCB para ver a exposição World Press Photo dei por mim surpreendida com o preço dos bilhetes: tanto num sítio como no outro só se paga 1.50€ de entrada! Bem, indo ao CCB há que contar depois com o dinheiro para o agarradinho e para o indispensável pastel de belém mas, ainda assim sai uma tarde barata!
Por outro lado, há que olhar para os preços dos bilhetes de teatro. Apesar de, em alguns casos, haver dias em que os bilhetes são a metade do preço em alguns teatros, na generalidade das salas de espectáculos os preços não são nada acessíveis! É raro o teatro que tenha bilhetes a 15€! Ou se os têm correspondem a lugares que ficam nos confins das salas. Toda esta minha indignação se deve ao facto de querer ir ver o Cat's e mesmo sabendo que é um espectáculo internacional, o que logicamente o torna mais caro, tem bilhetes a 20 e a 25€ mas que ficam, respectivamente, em lugares sem marcação e a lugares com visibilidade reduzida! Isto compreende-se? Como querem que o teatro tenha mais audiência se os seus preços não estão acessiveis ao comum dos portugueses?

domingo, 1 de outubro de 2006

Ídolo

Já se passaram alguns dias sobre o dia 5 de Setembro, dia em que Freddie Mercury faria 60 anos. Apesar de ter morrido quando eu ainda só sabia o que eram bonecas e brincadeiras na rua, foi uma personalidade que sempre me fascinou e vi todos os documentários sobre ele a que consegui ter acesso. Conquistou-me definitivamente quando, depois de eu já saber a história da sua vida, ouvi da sua boca algo de extraordinário: "Se vivesse tudo outra vez faria tudo igual. Bem, talvez com mudanças ligeiras." Achei simplesmente fenomenal como alguém que contraiu uma doença como a SIDA apenas mudaria pequenas coisas na sua vida! Gostava de poder um dia olhar para trás e ter a segurança de ter feito tudo bem, de não me arrepender de nada e de achar que nada poderia ter feito de melhor. Não sofro de arrependimento e assim espero continuar mas acho difícil errar e continuar de bem com a vida, aceitando-se e perdoando-se o que se fez. Quero ter a mesma segurança e ser aquilo que aquele homem me transmitiu. Por aí se define um verdadeiro ídolo.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Teoria

Já está. Já fiz. Não correu pelo melhor mas já está despachado. Estou farta desta cadeira até à raiz dos cabelos mas tenho medo de não conseguir...tenho medo de continuar a ser efectiva... Resta agora a grande espera pelo resultado...vamos ver o que sai!

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Rever

Para muitos estudantes há um conceito bastante interessante: rever a matéria. Pois bem, eu raramente consigo acabar de estudar toda a matéria pelo que este conceito é relativamente desconhecido para mim! Fiquei toda contente comigo mesma porque, tendo exame amanhã, consegui acabar de estudar toda a matéria ontem à noite, quase 48 horas antes do exame. Estava no meu plano tirar o dia de hoje e o de amanhã para rever a matéria e dou por mim a não faze nada. Simplesmente nada. Não consigo ir sentar-me a rever a matéria. E o mais interessante é que até nem me sinto muito culpada por não o fazer! Espero não me arrepender depois.

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Politiquices

Fui ontem à faculdade e voltei de lá um pouco desiludida e sem a vontade que tinha de reiniciar as aulas. Ontem não me decidi a escrever nada mas depois de ver uma tuna a actuar no Portugal no Coração (o que uma pessoa vê p se distrair do estudo!) voltei a pensar que é um bocado triste a situação que se passa na FDL. Todos são interventivos, gostam de ajudar, gostam de se dar com as pessoas, de fazer festas e de animar a malta mas parece que toda essa actividade se concentra num único ponto: a associação de estudantes. Pois bem, o nosso Cénico quase não é divulgado, as Tunas pura e simplesmente desapareceram do mapa e o mais perto que temos de alguma coordenação de alunos fora da AAFDL são os jornais de parede que são escritos por quem não os assina e que apenas existem para dizer mal dos membros da AAFDL.
Pois bem, tenho a dizer que fico profundamente enojada com a politiquice reinante naquela faculdade! (Quase) toda a gente faz alguma coisa só para ser visto e para ter notoriedade fora dali, nas juventudes partidárias, das quais quase todos fazem parte. Enoja-me que não se pense naquela comunidade desinteressadamente. Enoja-me que o objectivo seja outro.
Voltou-me a vontade de acabar o curso para sair dali. Só tenho pena de perder a companhia diária dos amigos que lá encontrei.

sábado, 16 de setembro de 2006

Adeus Verão!

Estou certa que o Verão acabou. O sol ainda é quente quando bate no corpo mas aquele friozinho à sombra e a vontade de um cobertor na cama à noite já se faz sentir! Dei por mim agora a desejar umas meias...os tornozelos já estavam a ficar fresquinhos.
Estive para ir à praia ontem mas decidi-me por outro plano e foi muito bom. Para além de ter sido bom por si só, foi bom porque não passei por um momento que para mim é muito melancólico: ir à praia tendo consciência que é a última vez nesse Verão. Assim, aproveitei a última tarde de praia há uns dias sem melancolia e foi excelente. Agora começo a pensar no Inverno que por aí vem e tento só lembrar-me das tardes passadas aninhada no sofá a ver um filme e a namorar! Só não quero lembra-me dos dias em que chove a cântaros e temos que sair de casa...das manhãs geladas no caminho para a faculdade...Que vontade de fugir para os trópicos!

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

The Straight Story



Abro aqui uma nova rubrica de crítica cultural porque houve um filme que me surpreendeu por completo e do qual tive vontade de falar. Trata-se de The Straight Story. O título foi (mal) traduzido para português porque Straight é o apelido da personagem principal mas no fundo estamos mesmo perante uma história simples.

Não sou daquelas pessoas que sabem bem a filmografia de todos os realizadores e actores e que conseguem até distinguir fases neles. Sei simplesmente que este filme me tocou. Tocou-me pela falta de artifícios da história e da importância dada aos sentimentos. O filme conta a história de um homem de 73 anos, quase cego e com problemas na anca, o que o inibe de conduzir, que percorre 360 milhas no seu corta relva. Contando apenas estes detalhes dir-se-ia que este homem é um louco, que a idade o deixou senil. Pois bem, este homem faz-se à estrada porque quer ver o seu irmão, com quem não fala há 10 anos, que acabou de ter um enfarte. O orgulho deste homem não lhe permite pedir ajuda a ninguém e decide que tem que fazer o caminho por si só. Pela viagem somos levados a uma estrada de emoções, a um percurso sobre os valores do ser humano. Recomendo vivamente a quem se queira emocionar sem as lamechas comédias românticas.

A minha "sobrinha"!


Aqui está a nova mascote da FDL! É uma menina linda e que já sabe fazer o choradinho quando quer colo! Vai longe na vida! Desejo à pequena Sofia e à mãe toda a felicidade do mundo!

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Nasceu

Já nasceu a nossa "sobrinha"! Chama-se Diana, nasceu de cesariana e pesa 4.050Kg! Parabéns à mamã! Vou pôr fotos assim que tiver!

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Consequências do 11 de Setembro

Embarco numa camioneta na Covilhã com destino a Lisboa. Entram comigo dois homens que presumo muçulmanos pelo turbante na cabeça e o tom da pele. Brinco com quem me acompanha até à entrada que ainda vou ser vítima de um atentado.
Os dois homens passam mais de uma hora a falar na sua língua acelerada da qual não percebo nem uma palavra. Nessa altura entramos num túnel que atravessa serra da Gardunha e a algaraviada que vinha a ouvir silencia-se. Aqueles dois homens deixam o assunto que os entusiasma e calam-se por completo. De repento ouço algo....pi.....pi....pi.....
Pensei que fosse o meu fim naquele momento. Nunca tinha sentido um medo assim. Sem companhia conhecida ali dentro senti saudades daqueles abraços apertados dos que amamos para me sentir segura. Imaginei logo que aquele som só poderia ser de uma qualquer bomba que transportariam com eles... O meu lado lúcido fez-me pensar: porque é que alguém iria fazer um ataque terrorista tão longe da capital de um país num autocarro cheio de velhotes? A minha cabeça contrapôs logo que eles só querem ganhar o céu e as suas virgens...porque não causar o caos num túnel com 1500m?
A verdade é que nada se passou. Ouvi aquele pi...pi...pi durante o resto da viagem e não faço ideia do que se trata. Depois de me sentir segura considerei-me racista por ter julgado aqueles homens pelo tom de pele e o turbante na cabeça...fui vítima de uma enorme lavagem ao cérebro mas acho que não fui a única.

Para não variar

É assunto mais que falado hoje o facto de já terem passado 5 anos sobre os atentados nos EUA. Não utilizei a palavra aniversário propositadamente. Um aniversário é algo de feliz e não me parece que seja este o caso. Depois de 5 anos e milhares de documentários (dos quais só vi alguns, claro!) há muitas teorias diferentes sobre o que se passou há 5 anos atrás.
A versão oficial diz-nos que foi um atentado terrorista organizado por um grupo fundamentalista islâmico. é triste que o mundo ande assim em guerra só porque se acredita em divindades diferentes e todos querem que a sua ideologia seja considerada a melhor e reine no planeta.
De acordo com um outro documentário, que eu não consegui acabar de ver por defender algo demasiado terrível, tudo não passou de uma manobra bem engendrada pela administração americana para ter uma desculpa para atacar o Afeganistão e o Iraque. Neste filme diz-se ainda que talvez as pessoas que seguiam nos aviões que se dirigiam ao Pentágono (e que o realizador defende que não chegou a cair, que aterrou num outro aeroporto e que o Pentágono foi destruido por uma bomba) e à Casa Branca foram dirigidas para bunkers e ali continuam a viver. É triste que alguém diga que está a defender o seu país e roube a alguns dos seus cidadãos a vida que antes tinham só para arranjar uma desculpa para ir arranjar petróleo.
Sei que há 5 anos era uma adolescente de 17 anos a aproveitar os seus últimos dias de fériasa ver televisão quando me deparo com a imagem daquele edifício a arder. Não esqueço as imagens desse dia. A minha mãe fez o almoço e quase não conseguimos comer....não conseguia deixar de pensar naqueles corpos a cair como bonecos. Fiquei vidrada na televisão o dia inteiro, buscando informação para tentar compreender como alguém poderia fazer uma coisa daquelas. Ainda hoje, 5 anos depois, me custe a comprender tanto mal.